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Papo cabeça com Anand!

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Dviana e Anand 

A duas rodadas da conclusão do Mundial, o clima entre os jogadores é de um certo consentimento. Vishi Anand é considerado imbatível no momento e sua vantagem de um ponto sobre Gelfand pode ser entendida como decisiva. Gelfand (um ponto atrás do hindu) tem uma partida difícil nesta sexta-feira contra Kramnik, e Anand, de pretas, pega um desanimado Grischuk (quase na lanterna). Historicamente, o indiano tem 6 vitórias contra 4 derrotas com o jovem russo, num total de 18 partidas, um placar apertado demais para alguém bancar a idéia de  que há vantagem psicológica nesse encontro. Já deu para perceber que Anand exala confiança e sua estratégia parece ser mesmo a que ele vem repetindo dia após dia. Cada jogo é tratado sem predisposiçoes, a posição do tabuleiro é que vai definir se é para jogar a ganhar ou a empatar. Mas ele também deixa transparecer a idéia de que um empate nesta 13 rodada seria um excelente resultado. Consegui o que na linguagem das redaçoes dos grandes jornais chamamos de exclusiva. Foi uma prosa de quatro minutos a cinco minutos, um momento em que consegui conversar com Anand sem que nenhum outro profissional interferisse. O indiano gostou de saber que sou brasileiro natural do Rio de Janeiro e aceitou responder perguntas que, expliquei, gostaria de fazer sem o conhecimento dos outros chatos de plantão.

Xeque.net: Até o momento 70% das partidas do torneio terminaram empatadas. Na sua opinião falta combate, ou é assim mesmo?

Anand: Eu creio que nao há que tocar no número de empates, porque presenciamos empates muito interessantes também. Por exemplo, Kramnik x Gelfand da sétima rodada ou a minha partida com Kramnik desta semana. Essas duas são as que recordo de imediato. Ah, a minha partida com Morozevich também foi muito aguerrida, lutada. Se formos falar de estatísticas, creio que as boas partidas ultrapassam os 50%. 

Xeque.net: O seu empate de hoje não foi prematuro? Svidler e Anand

 

Anand: Svidler jogou uma linha que já fora experimentada por ele contra Ivanchuk, este ano, em Morélia. As brancas ficam com um tempo a menos na abertura (perdem um tempo empurrando o peão da dama duas vezes), mas ganham a oportunidade de jogar o cavalo por “a3”. Ok, acho resolvi bem os problemas da abertura e me sentia confortável, mas teria de arriscar muito para buscar a vitória. Vendo a situação da tabela e o que tinha no tabuleiro, achei por bem oferecer o empate. 

 

Xeque.net: Como está a ansiedade? Todo mundo está dizendo que você vai ganhar...

Anand: Tenho que jogar rodada por rodada e nao adianto as coisas. Todavía, ainda me sobra uma luta difícil para amanha contra Grischuk.



Sobre esta história de empate, também tive uma boa conversa reservada com Peter Svidler. Este GM é um gentleman, além de ter uma educação de altíssimo nível. Vou guardar esta conversa para depois...


A partida do dia foi sem dúvida Kramnik - Leko. O atual campeão mundial em seu elemento. Vou deixar que o jogadores expliquem em linhas gerais o que aconteceu no tabuleiro.

Kramnik: "Eu penso que 13-Df4 é uma novidade teórica um tanto interessante para ser experimentada numa única partida. Eu a havia analisado em casa e me pareceu ser uma idéia difícil de ser rebatida se o adversário tivesse de buscar a solução no improviso do tabuleiro. A maneira correta de responder seria jogando 13-...c5 imediatamente. A escolha de Leko não foi ruim em si, mas permitiu que eu mantivesse uma pequena vantagem. Para minha surpresa, Peter jogou 26-...f6, quando a defesa correta seria 26-...Te7. Após o xeque de dama ele cometeu outra imprecisão, deveria ter colocado o rei em h7, e depois de 28- Df7 creio que não há mais defesa."Kramnik e Léko, rod 12

Leko: "Eu pensei em jogar logo 13-...c5, mas havia muitas linhas e possibilidades, preferi ser um pouco mais conservador. Considerei minha posição bem jogável depois de 18-...Cd7 19 Cb3 a5 20-Cc5. Talvez, se não tivesse gasto tanto tempo na abertura, teria matado o cavalo de "c5" ao invés de jogar a linha forçada. Evidentemente que deixei passar o lance Df7 e depois disso está tudo perdido."

 


O autor destas linhas tortuosas ganhou o dia hoje no México. E nem pense que o motivo de tanta alegria está relacionado com a entrevista de Anand. Sonhamos alto, amigos, foi muito mais do que isso. Ao caminhar pela confusão que é a Cidade do México, me deparei com a maior homenagem que este país poderia oferecer ao dono de um obscuro site de xadrez. Fiquei tão emocionado que tive de entrar. Pouco importa se lá dentro a breguice era retumbante, se os funcionários me olhavam com desconfiança e se as prateleiras tivessem  nada que prestasse. Mas, entendam, quando avistei aquelas letras garrafais no paredão, pensei, amor a primeira vista, afinal, é a chacota do dia!Em minha homenagem

Abraços!

e deixem mensagens completas, com nome e cidade. Senão vira conversa de anônimos...

...e obrigado pelas mensagens de estímulo...

Dirceu Viana, da cidade da pirataria...

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